Quarta-feira, Maio 13, 2009

À francesa

Começou hoje o Festival de Cannes. A seleção oficial desse ano traz novos filmes de diretores de respeito, como Michael Haneke (The White Ribbon), Lars von Trier (Antichrist), Gaspar Noé (Enter the void) e Ken Loach (Looking for Eric), para ficar em apenas alguns nomes.



Sem muitos latinos na lista (entre os brasileiros,
Heitor Dhalia mostra À Deriva na mostra Un Certain Regard e Eduardo Valente, fora de competição, exibe seu No meu lugar). Duro vai ser esperar até outubro, na Mostra Internacional de São Paulo, para ver essas e outras películas interessantes.

No player: Lost Boys (Shearwater)

Terça-feira, Março 31, 2009

Sentimentos controversos

Well I stepped into an avalanche,
It covered up my soul;
When I am not this hunchback that you see,
I sleep beneath the golden hill.
You who wish to conquer pain,
You must learn, learn to serve me well.

You strike my side by accident
As you go down for your gold.
The cripple here that you clothe and feed
Is neither starved nor cold;
He does not ask for your company,
Not at the centre, the centre of the world.

When I am on a pedestal,
You did not raise me there.
Your laws do not compel me
To kneel grotesque and bare.
I myself am the pedestal
For this ugly hump at which you stare.

You who wish to conquer pain,
You must learn what makes me kind;
The crumbs of love that you offer me,
Theyre the crumbs Ive left behind.
Your pain is no credential here,
Its just the shadow, shadow of my wound.

I have begun to long for you,
I who have no greed;
I have begun to ask for you,
I who have no need.
You say youve gone away from me,
But I can feel you when you breathe.

Do not dress in those rags for me,
I know you are not poor;
You dont love me quite so fiercely now
When you know that you are not sure,
It is your turn, beloved,
It is your flesh that I wear.


(Avalanche, Leonard Cohen)

No player: Sing Another Song Boys (Leonard Cohen)

Sexta-feira, Março 20, 2009

A volta de Harry

Clint Eastwood é uma das figuras mais interessantes do cinema contemporâneo. Dono de uma carreira que começou nos western-spaguetti, gênero em que as questões de honra são sempre cruciais, ele parece ter trazido esse senso moral tanto para os outros filmes em que atuou quanto para os que dirigiu.

O mítico Dirty Harry, aquele para quem a vingança não tinha preço, parece ecoar em seu novo filme, Gran Torino, em que ele vive um veterano da guerra da Coréia que vive um estranho relacionamento com seus vizinhos, uma família chinesa. O nome do filme é do lindo carro que enfeita a garagem de Walt e que gera um confronto fundamental no plot.



Walt Kowalski é um viúvo do mau humorado e preconceituoso que vive às turras com os filhos ausentes, os netos interesseiros e um jovem padre que quer fazê-lo acreditar que Deus existe e é justo. A vizinhança na qual vive já foi abandonada há tempos pelos w.a.s.ps e passou a abrigar imigrantes de diversas origens. Bem ao lado de sua casa, o clan chinês faz suas festas e reuniões alheias à sua presença e provocando sua repulsa típida de true american. Pouco a pouco, graças à amizade com os dois adolescentes da família, ele vai perceber que eles tem mais pontos em comum do que imaginava.

Essa transformação no caráter de Walt é construída por Eastwood de maneira correta e isenta. O conflito moral no qual ele está imerso há mais de 50 anos vai se tornando cada vez mais claro e Eastwood evita resvalar para sentimentalismo. Como o mítico Harry, Kowalski tem sede de vingança, mas também quer a redenção, e o diretor respeita esse sentimento, fazendo dele um de seus personagens mais marcantes.


No player: Das model (Kraftwerk)

Segunda-feira, Março 16, 2009

Lembranças de um cinema que não existe mais

Num desses domingos fui à (nem tão) nova Sala UOL, no Itaim, aquela que um dia foi conhecida como Cine Lumière. Lembro-me ter ido lá algumas vezes em 98 ou 99, quando eu estava no meu primeiro trabalho, mas não tenho recordação alguma do que possa ter visto naquela sala grandona, com aquele ar retrô que eu tanto gosto. Uma das pouquíssimas remanescentes de um tipo de lugar que existe cada vez menos em São Paulo.

Fiquei um tanto surpresa. A sala grandona deu origem a duas, ambas com projeção digital. O som é de boa qualidade, e a freqüência, de gente que mora ali pela região. Fiquei pensando no tanto que esses cines de rua fazem falta nessa cidade de multiplexes, cinemarks, de salas feitas para quem não gosta verdadeiramente de filmes. Nostalgia.

No player: O2 (Sleater Kinney)

Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

Primeiro post do ano

O ano começou brumoso e o primeiro mês terminou com tempestades. Muitas mudanças acontecendo e pouco tempo livre para refletir sobre tudo isso. O que me toca é viver cada dia e tentar tirar deles alguma coisa boa. Há possibilidades de abertura de sol no decorrer do período.


No player: Virgin Bride (Morphine

Sábado, Dezembro 27, 2008

Legado de 2008

Na noite de Natal, minha mãe ficou me olhando por alguns minutos, com uma cara que mesclava carinho e surpresa. Sentou na cadeira ao meu lado, me fez um carinho na face e disse: "Filha, você viu que já ganhou as primeiras marcas do tempo? Antes elas eram só internas; agora, com atenção, já posso vê-las no seu rosto". Achei o comentário bonito: vou fazer 33 anos logo, já passei por bastante coisa, mas não me sinto cansada e nem acomodada em relação a nada. Estou sempre em busca de algo, e isso para mim está longe de ser um indício de insatisfação crônica.

Essas manchas foram algumas das coisas que ganhei ao longo de 2008. Também fiz novas amizades e, infelizmente, me afastei de gente que adoro, mas cuja agenda nunca bate com a minha. Aprendi a lidar com pessoas diferentes de mim, mas ainda não a ser puxa-saco, falsa e competitiva em excesso, características fundamentais para quer crescer na minha profissão. Fiz uma viagem de férias incrível, visitei outros lugares que adoro ao longo do ano, sempre olhando tudo como se fosse a primeira vez.

Não me tornei tão sábia e nem cumpri metade da minha lista de “quehaceres” cuidadosamente planejada na praia, na virada do ano. Mas me vejo mais forte, mais viva e mais sedenta de vida. Espero que esse ritmo prossiga no ano que daqui a alguns dias começa. Que vocês, meus parcos e queridos leitores, conquistem o mesmo em 2009.

No player: Adelantando (Jarabe de Palo)

Terça-feira, Dezembro 16, 2008

Neuróticos e hilários

Quem descobriu o Woddy Allen dos anos 90 e 00 não sabe nada da obra do diretor nova-iorquino. Ontem revi pela enésima vez Annie Hall, que aqui no Brasil recebeu o indecente nome de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. O filme é um dos mais engraçados do diretor, com diálogos longos e divertidíssimos, como esse aí do vídeo. Tenho amigos que acham que só ex-estudantes de comunicação acham graça nisso...




No player: Ladyflash (The Go! Team)