Clint Eastwood é uma das figuras mais interessantes do cinema contemporâneo. Dono de uma carreira que começou nos western-spaguetti, gênero em que as questões de honra são sempre cruciais, ele parece ter trazido esse senso moral tanto para os outros filmes em que atuou quanto para os que dirigiu.
O mítico Dirty Harry, aquele para quem a vingança não tinha preço, parece ecoar em seu novo filme,
Gran Torino, em que ele vive um veterano da guerra da Coréia que vive um estranho relacionamento com seus vizinhos, uma família chinesa. O nome do filme é do lindo carro que enfeita a garagem de Walt e que gera um confronto fundamental no plot.

Walt Kowalski é um viúvo do mau humorado e preconceituoso que vive às turras com os filhos ausentes, os netos interesseiros e um jovem padre que quer fazê-lo acreditar que Deus existe e é justo. A vizinhança na qual vive já foi abandonada há tempos pelos w.a.s.ps e passou a abrigar imigrantes de diversas origens. Bem ao lado de sua casa, o clan chinês faz suas festas e reuniões alheias à sua presença e provocando sua repulsa típida de true american. Pouco a pouco, graças à amizade com os dois adolescentes da família, ele vai perceber que eles tem mais pontos em comum do que imaginava.
Essa transformação no caráter de Walt é construída por Eastwood de maneira correta e isenta. O conflito moral no qual ele está imerso há mais de 50 anos vai se tornando cada vez mais claro e Eastwood evita resvalar para sentimentalismo. Como o mítico Harry, Kowalski tem sede de vingança, mas também quer a redenção, e o diretor respeita esse sentimento, fazendo dele um de seus personagens mais marcantes.
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